Perceção de atitudes parentais e problemsa de comportamento nos adolescentes

Maria da Luz Vale Dias, Cláudia Sepanas Berardo

Resumen


Introdução: O papel desempenhado pelas atitudes educativas parentais no desenvolvimento e comportamento na adolescência tem sido amplamente suportado, surgindo um interesse pela sua pesquisa não só enquanto fator protetor, mas também como fator de risco para alguns desvios e problemas de saúde mental. A presente investigação foi concebida com o intuito de analisar a associação entre as perceções das atitudes parentais e a manifestação de problemas de comportamento no adolescente, pretendendo contribuir com subsídios para a melhoria do conhecimento dos profissionais (de saúde e em escolas) que trabalham com adolescentes e seus pais. Metodologia: A qualidade das atitudes dos pais foi considerada a partir da intensidade das perceções do afeto e das práticas parentais, enquanto a esfera comportamental incluiu comportamentos, de natureza internalizada e externalizada, reportados pelos adolescentes sobre as suas próprias ações e sentimentos. O protocolo de recolha de dados é composto por um questionário de caracterização sociodemográfica (tendo em consideração variáveis demográficas como a idade, sexo, localidade de residência, reprovações, coabitação e nível socioeconómico), pela adaptação portuguesa do Youth Self-Report (YSR) e pelo Inventário de Perceções adolescentes (IPA) adaptado por Fleming em 1997. A amostra incluiu 409 adolescentes de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 12 e os 19 anos (M = 14.93), de várias escolas e instituições dos distritos de Portalegre e de Évora. Resultados: Os resultados sugerem, de um modo geral, que as perceções positivas dos adolescentes sobre as atitudes parentais se relacionam inversamente com a manifestação de problemas de comportamento nas suas duas dimensões, internalizados e externalizados. Foram encontradas diferenças significativas em função da idade e do sexo. Conclusões: São referidas implicações em termos de intervenção dos profissionais com os adolescentes e principalmente com os seus pais.


Palabras clave


atitudes parentais; adolescência; problemas de comportamento internalizado; problemas de comportamento externalizado; intervenção

Texto completo:

PDF (Português (Portugal))

Referencias


Achenbach, T. M. (1991). Manual for the youth self-report and 1991 profile. Burlington, VT: Department of Psychiatry, University of Vermont.

Bonino, S., Cattelino, E., & Ciairano, S. (2005). Adolescents and risk: behaviors, functions and protective factors. Itália: Springer.

Buehler, C. (2006). Parents and peers in relation to early adolescent problem behavior. Journal of Marriage and Family, 68, 109-124. doi: 10.1111/j.1741-3737.2006.00237.x

Chapin, J., & Coleman, G. (2014). Adolescents’ perceptions of family violence risks. Journal of Family Violence, 29, 757-761. doi: 10.1007/s10896-014-9634-1

Fanti, K. A., Henrich, C. C., Brookmeyer, K. A., & Kuperminc, G. P. (2008). Toward atransactional model of parent adolescent relationship quality and adolescent psychological adjustment. The Journal of Early Adolescence, 28(2), 252–276. doi: 10.1177/0272431607312766

Fleming, M. (1997). Adolescência e autonomia: o desenvolvimento psicológico e a relação com os pais. Porto:

Edições Afrontamento.

Fonseca, A. C., & Monteiro, C. M. (1999). Um inventário de problemas do comportamento para crianças e adolescentes: o Youth Self-Report de Achenbach. Psychologica, 21, 79–96.

Gavazzi, S. M. (2011). Families with adolescents: bridging the gaps between theory, research, and practice. New York: Springer.

Leadbeater, B. J., & Homel, J. (2015). Irritable and defiant sub-dimensions of ODD: their stability and prediction of internalizing symptoms and conduct problems from adolescence to young adulthood. Journal of Abnormal Child Psychology, 43, 407–421. doi: 10.1007/s10802-014-9908-3

Mack, K. Y., Peck, J. H., & Lieber, M. J. (2015). The effects of family structure and family processes on externalizing and internalizing behaviors of male and female youth: a longitudinal examination. Deviant Behavior, 36, 740–764. doi: 10.1080/01639625.2014.977117

Maia, A. (2014). Atitudes educativas parentais, resiliência e rendimento académico do adolescente: análise de relações e contributo de variáveis demográficas. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Psicologia e de Ciências de Educação da Universidade de Coimbra.

Mendes, L. S., & Vale-Dias, M. L. (2018). Relação entre estilos educativos parentais, confiança interpessoal e vinculação na adolescência. Psicologia, Saúde & Doenças, 19(1), 136-143.

https://dx.doi.org/10.15309/18psd190120

Morgado, A. M., & Vale Dias, M. L. (2013). The antisocial phenomenon in adolescence: what is literature telling us? Aggression and Violent Behavior, 18, 436-443. doi: 10.1016/j.avb.2013.05.004

Morgado, A. M., & Vale Dias, M. L. (2015). Adolescent antisocial behaviour: a development approach to individual perceptions. Paper presented at the 17th ECDP - September 8-12, Braga, Portugal.

Morizot, J., & Kazemian, L. (2015). Introduction: understanding criminal and antisocial behavior within a developmental and multidisciplinary perspective. In J. Morizot & L. Kazemian. (Eds.), The development of criminal and antisocial behaviour: theory, research and practical applications (1-18). New York: Springer.

Oliveira, J. H. (1994). Psicologia da educação familiar. Coimbra: Almedina.

O’Mara, R. M., Lee, A., & King, C. A. (2013). Depression and suicide-related behaviors in adolescence. In W. T. O’Donohue, L. T. Benuto, & L. W. Tolle. (Eds.), Handbook of adolescent health psychology (521-535). New York: Springer.

Pacheco, J., Alvarenga, P., Reppold, C., Piccinini, C. A., & Hutz, C. S. (2005). Estabilidade do comportamento anti-social na transição da infância para a adolescência: uma perspectiva desenvolvimentista. Psicologia: Reflexão e Crítica, 18 (1), 55-61. doi: http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722005000100008.

Relvas, A. (2000). Adolescente(s), família(s) e escola(s). In M. T. Medeiros, & A. I. Serpa. (Eds.), Adolescência: abordagens, investigacoes e contextos de desenvolvimento (48-77). Lisboa: Direção Regional da Educação.

Soares, D. L., & Almeida, L. S. (2011). Percepção dos estilos educativos parentais: sua variação ao longo da adolescência. Libro de Actas Do XI Congresso International Galego-Português de Psicopedagoxia, 4071–4083.

Smetana, J. G. (2012). The role of trust in adolescent- parent relationships: to trust you is to tell you. In K. J. Rotenberg. (Ed.), Interpersonal trust during childhood and adolescence (223-246). Cambridge: Cambridge University Press.

Steinberg, L., & Silk, J. S. (2002). Parenting adolescents. In M. H. Borstein. (Ed.), Handbook of parenting (103-134). Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates.

Streit, F. (1978). Technical manual: Youth Perception Inventory. Fred Streit Associates.

Vale Dias, M. L., Fonseca, A., Franco-Borges, G., Vaz-Rebelo, P., Oliveira, M., & Moreira, A., & De Man,J. (2015). Gender differences in strain, negative emotions, delinquency, substance use: implications for the general strain theory. Paper Presented at the 17th ECDP - September 8-12, Braga, Portugal.

Vale Dias, M. L., Martinho, L., Franco-Borges, G., & Vaz-Rebelo, P. (2012). Estilos educativos parentais e comportamento antissocial na adolescência. International Journal of Developmental and Educational Psychology, 1 (1), 469-478. http://www.redalyc.org/pdf/3498/349832342048.pdf

White, R., & Renk, K. (2012). Externalizing behavior problems during adolescence: an ecological perspective. Journal of Child and Family Studies, 21, 158-171. doi: 10.1007/s10826-011-9459-y




DOI: https://doi.org/10.17060/ijodaep.2019.n2.v2.1749 Statistics: Resumen : 91 views. PDF (Português (Portugal)) : 34 views.  

Enlaces refback

  • No hay ningún enlace refback.




Copyright (c) 2020 Maria da Luz Vale Dias, Cláudia Sepanas Berardo

Licencia de Creative Commons
Este obra está bajo una licencia de Creative Commons Reconocimiento-NoComercial-SinObraDerivada 4.0 Internacional.

"International Journal of Developmental and Educational Psychology."

Revista Infad de Psicología.

ISSN digital: 2603-5987

ISSN impreso: 0214-9877